segunda-feira, 4 de abril de 2011

Orçamento e gestão pública (artigo)

O Brasil é um país de vastas dimensões geográficas, por isso mesmo abriga em seu território uma grande diversidade de culturas e diversas desigualdades sociais. O país conta um orçamento público complexo e enfrenta enormes desafios que requerem políticas públicas adequadas, voltadas à substancial melhoria do desempenho do setor público e de suas organizações. Melhorar a qualidade da gestão através do orçamento público, que tem um enorme potencial, tanto no nível macro quanto no organizacional, demanda pôr foco nas questões que predominam o debate sobre o orçamento público.

O acúmulo de compromissos financeiros decorrente de medidas para sustentar a estabilidade monetária, como o cumprimento dos contratos firmados com credores externos e internos, em um contexto de vulnerabilidade econômica, determinou o aumento da rigidez orçamentária. Apesar do extraordinário incremento na arrecadação de impostos, menos de 10% do orçamento público está de livre utilização. Há, portanto, uma pequena margem de manobra, pois juntamente com os compromissos financeiros, os direitos sociais e previdenciários, a universalização do ensino fundamental e das ações básicas de saúde, os programas assistências e o auxílio desemprego compõem o elenco de direitos que absorvem uma parte considerável do orçamento público. De um lado, a vinculação dá garantia de continuidade ao atendimento às demandas críticas da sociedade, de outro, introduz a rigidez no orçamento.

A ausência de visão a longo prazo, o risco de descontinuidade e a dificuldade de reavaliação também são problemas que compõe a elaboração e a execução orçamentária. Diversos são os riscos que estes fatores ensejam em si, entre os quais, o distanciamento da elaboração orçamentária e os destinatários dos recursos, o contingenciamento, a interferência política e o não atendimento às demandas da sociedade. O grande paradoxo é que temos cada vez mais programas e organizações complexas e falta capacidade técnica operacional, que provoca resultados socialmente indesejáveis, portanto, o foco do ajuste precisa se deslocar da visão meramente contábil para o enfrentamento dessas questões que se encontram na origem dos desajustes atuais. É indispensável rever o modelo do federalismo fiscal e o conceito de seguridade social.

Por tudo isso, importante compreender as ações do governo, orientar os agentes públicos e privados, atender às necessidades da população e contribuir para a vitalidade da democracia, dessa forma, o orçamento “ideal” teria que se focar nos resultados e ter a orientação de suas ações voltadas aos “clientes”, gerando mais transparência e mais accontability.

Trabalho no Senado Federal e atuo dentro do processo legislativo, que envolve, entre outras coisas, o acompanhamento do orçamento público na sua elaboração, aprovação e execução. A Comissão Mista de Orçamento Públicos do Congresso Nacional – CMO, recebe a Lei de Diretrizes Orçamentária – LDO, geralmente em abril, para, através do seu rito ordinário, ratifica a Lei Orçamentária Anual ao final do ano.

O orçamento chega como uma peça de ações e programas que visam atender as demandas da sociedade e das organizações instituídas. Contudo, fatores como a rigidez orçamentária, o contingenciamento dos recursos, a falta de políticas de longo prazo e a ausência de mecanismos de reavaliação, dentre outros, dificultam a aprovação e a execução do orçamento como um instrumento poderoso de gestão pública.

A interferência política talvez seja um dos fatores mais visíveis dento da minha instituição, seja para o bem, seja para o mal. Diversos são os fatores que influenciam a condução dos trabalhos, entre os quais, a escolha dos dirigentes e relatores, tanto gerais como setoriais. Obviamente as maiores agremiações indicarão seus representantes, que comporão os cargos mais importantes da comissão. Todavia, decerto que a análise orçamentária envolve ferramentas quantitativas, a análise racional, contudo, pode subsidiar o processo negocial, entretanto, isso não acontece como deveira. O governo eleito, através do atual sistema, terá obrigatoriamente a maior bancada e uma demanda ascendente, que transformará votos em moeda de troca.

É preciso melhorar a qualidade dos gastos e da gestão público, ainda que dentro de uma reforma administrativa, o Brasil não pode esperar. A dívida pública é um exemplo dessa “chaga”, enquanto a rigidez orçamentária volta-se para a exigência de superávits fiscais para garantir o pagamento dos encargos financeiros, que manterá estreitas margens orçamentárias para a expansão dos investimentos públicos num ambiente de organizações complexas e profundas desigualdades sociais.

Portanto, as distorções políticas, fruto de um sistema eleitoral viciado, transforma as regras do jogo em benefício de interesses menores. A eleição da gestão pública põe em relevo a necessidade de se avançar mais rapidamente em mudanças qualitativas na formulação e na gestão do orçamento federal, como a submissão das decisões orçamentárias e diretrizes estratégicas estabelecidas mediante um amplo debate público, maior ênfase na melhoria da gestão do orçamento e novos processos e conceitos que visem reduzir o incrementalismo.

Fernando Neves de F. Banhos
FGV / CIPAD – 8
Orçamento Governamental
Professor Armando Cunha

quarta-feira, 30 de março de 2011

Big Z


Com a primeira onda, surgiram os primeiros surfistas. Eles só precisavam de um toco de madeira ou um bloco de gelo – e saiam surfando. E eles se amarraram, cara, como se amarraram, e não pararam mais. E foram passando adiante. Passaram o gene do surfe através dos tempos. Não faz muito tempo, tinham os veteranos, os coroas do "hang 6", caras das antigas que surfavam com pranchas gigantescas. Eles foram os pioneiros. Mas ninguém sabia o que era o surfe de verdade até o Big Z surfar. Quem foi o Big Z? Você perguntou ao cara certo, pode apostar. O Z foi tudo. Big Z é o surfe. Parece que o oceano nem existia antes do Z. Foi inventado pra ele. Ele encarava todas, porque não tinha medo de viver nem medo de morrer. Ele veio à Antártica, quando eu era moleque. Cara, foi a coisa mais importante que já aconteceu aqui. E, aí, lá estava ele. Simplesmente flutuando sobre a água, quase pairando no ar, como se não existisse a gravidade. E entre todo mundo… ele chegou direto em mim e me deu um colar Big Z super maneiro. E aí, ele me disse: “Corre atrás, garoto, porque é o que os vencedores fazem.” Ele era o máximo. Todo mundo o admirava, respeitava e amava. E um dia... um dia, eu vou ser igualzinho a ele.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Aida



Ato I

O sumo-sacerdote Ramfis faz saber a Radamés, capitão da guarda egípcia, que os etíopes cobiçam o Egito. Depois acrescenta que a deusa Ísis decidiu que deve comandar os exércitos egípcios para defender o seu território e vai ter com o faraó para informar do divino desígnio. Radamés sonha ser o escolhido e idealiza uma volta vitoriosa da batalha para oferecer o seu triunfo à sua amada Aída,escrava da filha do faraó e filha do rei etíope Amonasro. Entra Amneris,filha do faraó, que ao perceber a alegria do general,suspeita que o motivo do estado de ânimo não se dava apenas aos sonhos de glória no campo de batalha. A chegada de Aida, muito afeta pelos rumores de guerra,só faz aumentar as suas dúvidas e alimentar os seus ciúmes: Amneris sabe que o coração de Radamés pertence a outra mulher que, provavelmente, é a sua escrava. No entanto, finge um grande carinho pela jovem escrava etíope quando, na realidade, está cheia de desejos de vingança. Precedido pela sua guarda entra o faraó com Ramfis, os sacerdotes e um grupo de cortesãos. Logo em seguida, aparece um mensageiro que relata como as tropas etíopes, sob comando do rei Amonasro, devastam tudo o que encontram no seu caminho e avançam para a capital, Tebas. Ao ouvir o nome do seu pai, Aida deixa escapar uma exclamação que não é ouvida pelos presentes, que ignoram a sua linhagem. O faraó anuncia que a deusa Ísis decidiu que Radamés é o escolhido para comandar as tropas contra o exército invasor. Todos os presentes encorajam o militar e gritam gritos de guerra. Amneris entrega-lhe um estandarte e deseja-lhe uma volta vitoriosa. Saem todos menos Aida que,repetindo as palavras de Amneris, luta entre os seus sentimentos amorosos por Radamés e por seu pai e os seus compatriotas,os quais irão se enfrentar na batalha. Numa sala do templo de Vulcano: Ouvem-se ao longe cânticos e rituais das sacerdotisas, que invocam a proteção dos deuses. Em cena, Ramfis e a assembléia de sacerdotes vestem Radamés com as armas abençoadas pelos deuses. Todos os presentes pedem ao deus do fogo que proteja o jovem guerreiro.Fim do 1º Ato.

Ato II

Numa sala nos aposentos de Amneris: A filha do faraó, rodeada pelas suas escravas, prepara-se para uma festa que festejará a volta triunfal de Radamés, vencedor da batalha contra os etíopes. Um grupo de escravos dançam à sua volta. Depois saem todos, menos Amneris que, na sua ânsia de saber a verdade sobre os sentimentos de Aida, submete a escrava etíope a um maquiavélico plano: quando a escrava entrar nos seus aposentos, ela a engana dizendo que Radamés venceu os etíopes mas morreu em combate. Ao saber da “terrível notícia”, Aida é incapaz de esconder o seu luto e manifesta na frente de sua patroa o seu amor por Radamés. A princesa egípcia então diz a verdade que Radamés continua vivo e que ela também o ama. Além disso, Aída jamais poderá desfrutar do amor do jovem guerreiro porque não passa de uma simples escrava. A princesa etíope consegue dominar-se depois de sentir a tentação de revelar a sua verdadeira linhagem e reconhece que só vive para esse amor. Amneris ameaça-a com uma terrível vingança não prestando atenção às súplicas da sua escrava. Então, ouvem-se os cânticos guerreiros dos soldados egípcios que voltaram da batalha. Sozinha em cena, Aída implora a piedade dos deuses. Na entrada da cidade egípcia de Tebas, junto o templo do deus Amon, uma multidão espera a volta dos guerreiros egípcios. Aparece o faraó com o seu cortejo e os sacerdotes. Atrás deles, Amneris com Aida e as suas escravas. O faraó senta-se no seu trono tendo, à sua direita, a sua filha. Depois de um coro de louvor em honra aos deuses e do soberano, uma grande marcha abre a procissão na qual participam os soldados egípcios, seguidos por bailarinos, carros de guerra, estandartes e ídolos. Por fim, Radamés entra em cena. O faraó recebe o jovem e ordena a Amneris que coloque a coroa ao vencedor. Depois diz a Radamés para pedir o que desejar. O militar pede a presença dos prisioneiros, entre os quais encontra-se Amonasro. Ao ver seu pai, Aida não consegue se conter e abraça-o dizendo que é o seu pai. O rei pede para não revelar a sua identidade aos seus inimigos e, às perguntas do faraó, responde que o imperador dos etíopes morreu no campo de batalha. Depois suplica clemência para os vencidos com a ajuda de Aida, das escravas, do povo e do próprio Radamés, que faz saber ao faraó que é a graça que pede pela sua vitória. Apesar da oposição de Amneris, de Ramfis e dos sacerdotes, o faraó concede a vida e a liberdade aos vencidos, mas, por conselho do sumo-sacerdote Ramfis, mantém em seu poder Aida e o seu pai Amonasro. Em seguida, o faraó concede a Radamés, como prêmio pela sua vitória, a mão de Amnéris e num futuro próximo a coroa, surpreendendo o militar e Aída, que ficam consternados. Fim do 2º ato.

Ato III

Nas margens do rio Nilo, onde se encontra o templo de Ísis: Ao longe ouvem-se os cânticos das sacerdotisas, que estão no templo. Aparecem em cena Ramfis e Amneris, que descem de uma barca e entram no templo sagrado para rezar pelo futuro casamento, cuja cerimônia ocorrerá no dia seguinte. Então entra em cena Aida, que se encontrou com Radamés, lamentando-se de que nunca mais voltará a ver a sua pátria. Aparece então Amonasro que, ciente dos sentimentos de sua filha para com Radamés, lhe faz saber que poderão voltar ao seu país se conseguir que o seu amado lhe diga o caminho secreto que o exército egípcio tomará no seu ataque. Aida nega-se inicialmente, mas a terrível reação de seu pai faz ela mudar de opinião. À chegada de Radamés, Amonasro esconde-se por detrás de umas palmeiras. Acontece então o feliz reencontro dos amantes. Radamés comunica a Aida que rapidamente estará, outra vez, à frente dos seus exércitos, uma vez que a luta com os etíopes reacendeu. Certo da sua vitória, o militar declara a sua intenção de pedir como recompensa a liberdade e a mão de Aída. A escrava manifesta a sua desconfiança em que semelhante plano possa acontecer e convence o amado de que a fuga para a Etiópia é a melhor solução pros dois. Depois pergunta-lhe qual é o caminho que terão de tomar para evitar o exército egípcio. O seu amante, confiante, revela-lhe que as tropas atacarão a Etiópia na garganta de Nápata. Subitamente, Amonasro abandona o seu esconderijo e aparece diante Radamés, que ele percebe que traiu a sua pátria involuntariamente, pelo amor de Aída. Amonasro e a sua filha tentam convencê-lo de que não é o culpado e tentam convence-lo a fugir com eles. Sai então do templo Amneris, seguida por Ramfis e pelos guardas do templo, que acusa Radamés de traição. O rei etíope tenta matar Amneris com um punhal,mas Radamés interpõe-se. Amonasro e Aída conseguem fugir, enquanto o militar egípcio se entrega ao sumo-sacerdote. Fim do 3º ato.

Ato IV

Numa sala do palácio do faraó perto da cela de Radamés e da sala de julgamento: Amneris, ainda apaixonada por Radamés apesar de este ter tentado fugir com a escrava,ordena que o preso seja conduzido à sua presença. A filha do faraó tenta convencê-lo a pedir clemência das acusações que lhe são imputadas, mas o militar nega-se. A princesa egípcia comunica-lhe então que Aida ainda está viva, ao que Radamés responde que está confiante de que sua amada consiga voltar à sua pátria. Desesperada, Amneris faz-lhe uma última proposta: promete liberta-lo se ele jurar que nunca mais verá Aida, mas Radamés sai, sendo levado para a sala do jugalmento. A partir de um local distante, assiste desesperada ao interrogatório. Radamés não responde às acusações proferidas por Ramfis e pelos sacerdotes, e é condenado à pena de morte reservada aos traidores da pátria: ser enterrado vivo. A princesa egípcia, louca de desespero, amaldiçoa os sacerdotes. O cenário aparece agora dividido em dois planos. No superior aparece o interior do templo de Vulcano. Em baixo, a cripta onde Radamés aparece vivo. Radamés se despede da vida e da sua amada para sempre, e então aparece Aida, que conseguiu entrar no túmulo para morrer ao seu lado. A escrava encontra a morte nos braços do seu amado enquanto Amneris reza por Radamés no templo. Ao longe soam os cânticos dos sacerdotes. Fim do 4º ato de Aída.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Aida

Mensagem de Joanna de Angelis por Divaldo Pererira Franco

Divaldo, desde jovem, teve vontade de cuidar de crianças. Educou mais de 600 "filhos", hoje emancipados, a maioria com família constituída e a própria profissão, no magistério, contabilidade, serviços administrativos e até medicina, tem 200 "netos". Na década de 60 iniciou a construção de escolas-oficinas profissionalizantes e de atendimento médico. Hoje a Mansão do Caminho é um admirável complexo educacional que atende a 3.000 crianças e jovens carentes, na Rua Jaime Vieira Lima, 01 – Pau de Lima, um dos bairros periféricos mais carentes de Salvador; tem 83.000 m² e 43 edificações. A obra é basicamente mantida com a venda de livros mediúnicos e das fitas gravadas nas palestras.

Calma para o Êxito


Em todos os passos da vida, a calma é convidada a estar presente. Aqui, é uma pessoa tresvairada, que te agride... Ali, é uma circunstância infeliz, que gera dificuldade... Acolá, é uma ameaça de insucesso na atividade programada... Adiante, é uma incompreensão urdindo males contra os teus esforços... É necessário ter calma sempre. A calma é filha dileta da confiança em Deus e na Sua justiça, a expressar-se numa conduta reta que responde por uma atitude mental harmonizada. Quando não se age com incorreção, não há por que temer-se acontecimento infeliz. A irritação, alma gêmea da instabilidade emocional, é responsável por danos, ainda não avaliados, na conduta moral e emocional da criatura. A calma inspira a melhor maneira de agir, e sabe aguardar o momento próprio para atuar, propiciando os meios para a ação correta. Não antecipa, nem retarda. Soluciona os desafios, beneficiando aqueles que se desequilibram e sofrem. Preserva-te em calma, aconteça o que acontecer. Aprendendo a agir com amor e misericórdia em favor do outro, o teu próximo, ou da circunstância aziaga, possuirás a calma inspiradora da paz e do êxito.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Viva Gonzagão!


Foi uma das mais completas e inventivas figuras da música popular brasileira. Cantando acompanhado de acordeão, zabumba e triângulo, levou a alegria das festas juninas e dos forrós pé-de-serra, bem como a pobreza, as tristezas e as injustiças de sua árida terra, o sertão nordestino, para o resto do país, numa época em que a maioria das pessoas desconhecia o baião, o xote e o xaxado.

Para ouvir Gonzagão basta clicar abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=7G5sK7kNr4U&feature=fvsr

quarta-feira, 23 de março de 2011

Milho Verde - MG


Sua história remonta ao início do século XVIII, quando um pequeno arraial surge na região do Serro Frio em decorrência das atividades de mineração do ouro e do diamante. Por estar dentro do Distrito Diamantino, Milho Verde sofreu as severíssimas restrições impostas pela Coroa Portuguesa à região demarcada. As terras de Milho Verde foram incluídas na área proibida para a mineração. No local, chegou a ser instalado um quartel e um posto fiscal para o controle e a fiscalização do extravio de diamantes. Esse fato decidiu o destino do arraial: a estagnação. Assim, nunca mais o arraial se desenvolveu.


Existem algumas referências sobre o local no século XIX. O mineralogista José Vieira Couto fez o seguinte registro em 1801: “lugarejo pequeno, mal arranjado, e com muitas casas palhoças, vivendo os seus pobres habitantes de uma pequena e insignificante cultura”. O inglês John Mawe e o francês Saint-Hilaire passaram por Milho Verde em 1809 e 1817, respectivamente. Em seus apontamentos foram feitos os comentários sobre a decadência local. Saint-Hilaire escreveu que o arraial estava localizado “em uma região árida que não possibilitava nenhum gênero de plantação” e se constituía “de uma dúzia de casas e uma igreja”. Situado nas vertentes da Serra do Espinhaço, a 25km da sede do município do Serro, esse vilarejo não muito distante das cabeceiras do Rio Jequitinhonha foi elevado à categoria de distrito em nove de julho de 1868. Na década de 80, algumas pessoas cansadas das cidades grandes, em busca de uma vida alternativa, descobriram a singela e tranqüila Milho Verde.


Depois, o local foi descoberto pelos turistas, que buscavam novas paisagens e opções fora dos roteiros de turismo de massa. A partir daí, é que foi se formando uma pequena infra-estrutura para receber os novos visitantes. Hoje, Milho Verde possui um aspecto rústico e encantador, em absoluta harmonia com a natureza. A belíssima paisagem, o patrimônio histórico, as cachoeiras, a singela hospitalidade dos habitantes e a deliciosa culinária típica fazem desse vilarejo um destino muito especial.


Passar alguns dias em Milho Verde é se deixar levar por uma vida simples, sem horários e compromissos, aliás, os únicos compromissos que se pode ter em Milho Verde são: tomar banhos de cachoeiras de águas límpidas ou experimentar uma comida feita em fogão à lenha, saborear goiabadas e marmeladas, tudo muito autêntico.

Papagaio do Futuro

Montado no indicativo do papagaio do futuro, Alceu Valença atravessa a ponte entre passado e presente em três apresentações no Projeto Álbum do Sesc Belenzinho, em São Paulo, dias 17, 18 e 19 de março. Em reencontro histórico, Alceu junta-se aos velhos companheiros Zé da Flauta, Lula Côrtes, além do guitarrista Paulo Rafael, para a recriação dos melhores momentos do cultuado álbum Vivo, lançado originalmente em 1976.

Alceu revive canções que marcaram o início de sua trajetória artística, como “Papagaio do Futuro”, “Sol e Chuva”, “O Casamento da Raposa com o Rouxinol” e “Vou Danado pra Catende”. Esta última remete ao Festival Abertura, da TV Globo, em 1975, que projetou o nome de Alceu Valença em todo o Brasil. A avassaladora mistura de rock underground com ritmos nordestinos obrigou os juízes a criar a categoria “Pesquisa” para contemplar aquela inusitada trupe, que parecia saída de algum lugar entre Woodstock e o Beco do Barato, outrora ponto de encontro da contracultura recifense. A antológica apresentação pode ser conferida no:

Logo em seguida, Alceu reuniu o grupo para apresentações no Recife, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Com uma mídia absolutamente alternativa (a trupe divulgava o espetáculo fazendo soar seus instrumentos pelas ruas), o show se tornou um grande sucesso e virou disco, gravado no Teatro Tereza Raquel, no Rio, com produção de Guto Graça Melo para a Som Livre. Lançado pouco antes do estouro nacional de Alceu – a partir de 1980, com o disco “Coração Bobo”, que elevou o artista à categoria dos que ultrapassaram a marca de um milhão de cópias vendidas – “Vivo” tornou-se um marco da música brasileira moderna, influenciando gerações num culto intemporal e independente das imposições do mercado.

Além de “Vou Danado pra Catende” e das músicas de “Vivo” com participação de Zé na flauta e Lula no tricórdio, Alceu apresenta sucessos de sua carreira - “Anunciação”, “Tropicana”, “Pelas Ruas Que Andei”, “Como Dois Animais”, “Táxi Lunar”, “Bobo da Corte”, “Embolada do Tempo”, entre outras - ao lado da banda formada por Paulo Rafael (guitarra), Mauricio Oliveira (baixo), Tovinho (teclados), Cássio Cunha (bateria) e Edwin (percussão). É fumaça de gasolina. Quem sabe, sabe, quem não sabe sobra.

ALCEU VALENÇA
Dias 17,18 E 19/03, Quinta, sexta e sábado, às 21h30.
Ingressos: R$ 32 / R$ 16 / R$ 8

SESC BELENZINHO
Endereço: Rua Padre Adelino, 1000 Belenzinho – São Paulo (SP)
Telefone: (11) 2076-9700

O Reino de Ariano Suassuna


Filho de João Suassuna e de Rita de Cássia Villar, Ariano estava com um pouco mais de três anos quando seu pai, que havia governado o Estado no período de 1924 a 1928, foi assassinado no Rio de Janeiro, em conseqüência da luta política às vésperas da Revolução de 1930.

No mesmo ano, sua mãe se transferiu com os nove filhos para Taperoá, onde Ariano Suassuna fez os estudos primários. No sertão paraibano Ariano se familiarizou com os temas e as formas de expressão que mais tarde vieram a povoar a sua obra.

Em 1946 Ariano iniciou a Faculdade de Direito e se ligou ao grupo de jovens escritores e artistas que tinha à frente Hermilo Borba Filho, com o qual fundou o Teatro do Estudante Pernambucano. No ano seguinte, Ariano escreveu sua primeira peça, "Uma Mulher Vestida de Sol", e com ela ganhou o prêmio Nicolau Carlos Magno.

Após formar-se na Faculdade de Direito, em 1950, passou a dedicar-se também à advocacia. Mudou-se de novo para Taperoá, onde escreveu e montou a peça "Torturas de um Coração", em 1951. No ano seguinte, voltou a morar em Recife. O Auto da Compadecida (1955), encenado em 1957 pelo Teatro Adolescente do Recife, conquistou a medalha de ouro da Associação Brasileira de Críticos Teatrais. A peça o projetou não só no país como foi traduzida e representada em nove idiomas, além de ser adaptada com enorme sucesso para o cinema.

No dia 19 de janeiro de 1957, Ariano se casou com Zélia de Andrade Lima, com a qual teve seis filhos. Foi membro fundador do Conselho Federal de Cultura, do qual fez parte de 1967 a 1973 e do Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco, no período de 1968 a 1972.

Em 1969 foi nomeado Diretor do Departamento de Extensão Cultural da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, ficando no cargo até 1974.

Ariano estava sempre interessado no desenvolvimento e no conhecimento das formas de expressão populares tradicionais e, no dia 18 de outubro de 1970, lançou o Movimento Armorial, com o concerto "Três Séculos de Música Nordestina: do Barroco ao Armorial", na Igreja de São Pedro dos Clérigos e uma exposição de gravura, pintura e escultura.

O escritor também foi Secretário de Educação e Cultura do Recife de 1975 a 1978. Doutorou-se em História pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1976 e foi professor da UFPE por mais de 30 anos, onde ensinou Estética e Teoria do Teatro, Literatura Brasileira e História da Cultura Brasileira.


Poema que abre
O ROMANCE D´A PEDRA DO REINO
E O PRINCÍPE DO SANGUE DO VAI-E-VOLTA,
de Ariano Suassuana:

Ave Musa incandescente do deserto do Sertão!
Forje, no Sol do meu Sangue, o Trono do meu clarão:
cante as Pedras encantadas e a Catedral Soterrada,
Castelo deste meu Chão!

Nobres Damas e Senhores ouçam meu Canto espantoso:
a doida Desaventura de Sinésio, O Alumioso,
o Cetro e sua centelha na Bandeira aurivermelha
do meu Sonho perigoso!

segunda-feira, 21 de março de 2011

Elomar... Das barrancas do Rio Gavião

Depois que gravou seu primeiro disco …Das Barrancas do Rio Gavião, passou a investir mais na sua carreira musical, bastante influenciados pela tradição ibérico e árabe que a colonização portuguesa levou ao nordeste brasileiro, mas foi só no final dos anos 1970 e início dos 80 que deu menos ênfase à arquitetura para dedicar-se à peregrinação pelos teatros do país, de palco em palco, tocando e interpretando o seu cancioneiro e trechos do que viriam a ser suas composições de formato erudito, como autos.

Com seu estilo típico de tocar violão, muitas vezes alterando a afinação do instrumento, Elomar criou fama entre o universo violeiro. Gravou em 1990 o festejado disco "Elomar em Concerto", acompanhado pelo Quarteto Bessler-Reis. Avesso à exposição na mídia para divulgação do seu próprio trabalho, prefere a vida reclusa da fazenda, longe das grandes metrópoles, criando bodes como o que inspirou ao cartunista Henfil o personagem Francisco Orellana. Mesmo assim, algumas de suas composições ficaram relativamente famosas, como "Clariô", "O Violeiro", "Arrumação" e "O Peão na Amarração".

O mestre Baden Powell


Tocava a música tradicional brasileira, mas amava o jazz e logo desenvolveu um estilo que se baseava em Django Reinhardt e Barney Kessel. Passou a ser conhecido internacionalmente em 1966 quando Joaquim Berendt teve a oportunidade de conhecê-lo, convidando-o para gravar seu primeiro disco e visitar a Europa.

O sucesso não o abandonou e sua fama foi aumentando com seus discos, principalmente na Alemanha. Continuou dando concertos, também nos Estados Unidos, onde teve a oportunidade de se apresentar com Stan Getz.

Baden Powell tinha uma maneira única de tocar violão, incorporando elementos virtuosísticos da técnica clássica e suíngue e harmonia populares. Explorou de maneira radical os limites do instrumento, o que o transformou em uma rara estrela nacional da área com trânsito internacional.

Ele foi considerado por muitos um dos maiores violonistas de jazz desde o início da bossa nova. Já gravou muitos discos entre os quais é preciso mencionar “Baden Powell Quartet”, um álbum duplo gravado para a Barclay, “Stephane Grappelli - Baden Powell” e “Baden Powell”.


Para ouvir o Mestre Baden Powell, basta clicar no link abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=Qiv47G_aN4c